sexta-feira, 27 de março de 2015

Pasage de Drake - Convergência Antártica


 
AM Temp: 2ºC
Vento: 8 nós O
PM Temp: 0ºC
Vento: 19 nós O

Nossa líder nos despertou hoje (leia-se ser acordado pelo autofalante do quarto com um "buenos dias queridos Antárticos", as 7 da manhã) com a notícia de que já estávamos em águas antárticas. Ontem pela madrugada o M/V Ushuaia havia cruzado a Convergência Antártica, e hoje nos encontrávamos por volta dos 61ºS de latitude.


Mas, apesar disso tudo, ainda estamos na Passagem de Drake, que mesmo muito tranquila, significa estar dentro de uma batedeira.
A manhã estava cinzenta e logo após o café da manhã tivemos uma palestra com Quacker sobre a Expedição Belga comandada por Adrien de Gerlache entre 1897-1899.
Após a palestra, as pessoas aproveitaram para relaxar no salão principal e conversar.


Durante a tarde, avistamos o primeiro iceberg. Havia um concurso a bordo sobre o horário do primeiro iceberg e eu errei longe...
Avistamos também algumas baleias ainda distantes.

No fim da tarde tivemos a primeira impressão do continente gelado, ao longe as Ilhas Shetland do Sul. Essa talvez tenha sido a maior emoção que já tive em viagem, aquele momento em que o sangue gela e uma lágrima escorre...
As ilhas envolvidas em uma névoa e com o sol batendo pareciam cena de cinema, uma miragem que ia se desvendando conforme nos aproximávamos.






































Posteriormente, a equipe da expedição nos explicou as normas da Associação Internacional de Operadores de Turismo Antártico (IAATO), assim como as normas de procedimentos e segurança para o uso dos botes Zodiac. Aprendemos vários detalhes, como o que vestir nos desembarques, como esterelizar as botas nos embarques e desembarques e como nos comportarmos quando em terra, além do que fazer em caso de ataque de focas.

Para finalizar distribuíram os salva vidas de desembarque (haviam outros em cada cabine), além das botas de borracha. Cada salva vidas possuía uma numeração, que passou a ser nosso número e deveria ser informado na ponte a cada descida e subida. Desta forma se controlava que ninguém tinha ficado esquecido em terra.


Terminava assim esse dia, ansiedade máxima, com a expectativa do primeiro desembarque amanhã.

Pera aí, terminou nada, bora pro bar tomar um drink pra esquentar, Nina de caipirinha e eu de marguerita...



A janta nos esperava pronta, e em seguida o documentário Atrapados en el fin del Mundo, la Epopeya Antártica olvidada, sobre a expedição sueca de Otto Nordensjköld, na qual participou Alférez Sobral, primeiro argentino a pasar o inverno na Antártica.


quinta-feira, 26 de março de 2015

A passagem de Drake

Temperatura: 1 ºC
Vento: muito forte


"É como passar dois dias subindo e descendo no barco viking. Mas sem a opção de descer do brinquedo."

Por volta da meia noite entramos na passagem de Drake, e a diferença no mar foi nítida. Apesar de termos encontrado um Drake muito tranquilo, o que significa ondas de cerca de 4 metros, muitos passaram mal. No café da manhã, vários não estavam no refeitório, e dos que estavam muitos estavam com uma cara péssima, incluo-me nesse grupo. Só a informação de que é pior de estômago vazio me deu forças pra subir pro café da manhã. Mas, depois de uma noite super enjoada e tendo que me agarrar na cama pra não ficar sendo jogada de um lado pro outro minhas forças estavam minadas.

Anotação mental: malas com rodinhas não combinam com mar aberto. Acabei amarrando a mala na cama com uma cordinha que a Nina me emprestou.

Meu ninho
Nina também penou com a cama dela, que só tinha contenção em um dos lados da cama, passou a noite agarrada na trave que tinha pra não cair, e pela manhã pediu que colocassem do outro lado também.

Confesso que não tive forças pra levantar da cama o dia inteiro, nem quando Francisco veio arrumar o quarto. Levantei apenas para as refeições e no fim da tarde Nina me ofereceu novamente um adesivo de escopolamina pra enjôo e eu aceitei. A noite estava bem melhor, mas ainda um pouco enjoada. Eu tinha levado Vonau (um medicamento anti enjôo) do Brasil, mas não fez muito efeito comigo não, só melhorei depois do adesivo (que aliás muita gente usava).









Durante os poucos instantes de passeio pelo convés, pude observar alguns pássaros.








Quem estava vivo durante o dia assistiu as palestras sobre o Tratado Antártco, contando sobre as diferentes circunstâncias históricas que levaram a esse acordo mundial; sobre pinguins antárticos e a terceira sobre aves antárticas...
Restaurante pronto para o jantar




Pelo menos após a janta eu já estava um pouco melhor e consegui assistir o documentário "Ballenas asesinas", da  National Geographic. Descobri que até a escolha do lugar no refeitório era estratégica, pois comer olhando para a parede piorava o enjôo. :(




Essa foto necessita legenda. Eu levei a bordo um abridor de vinho, morrendo de medo de não ser permitido, já que tratava-se de um objeto perfuro-cortante, daí quando embarquei me deparei com este singelo machado na porta do meu quarto, bobinha eu, rs. Detalhe para o saquinho para vômito que a tripulação gentilmente espalhou por todo navio, mas que no meu caso não foi necessário.





quarta-feira, 25 de março de 2015

¡Drake allá vamos!

“We shall not cease from exploration, and the end of our exploring will be to arrive where we started and know the place for the first time”.
–T.S. Eliot


Ushuaia, Argentina
Lat. 54º 48' S, Long. 68º 18' O
Temperatura: 4ºC
Vento: 8 nós O


As 4 da tarde já estávamos autorizados a embarcar no Ushuaia e caía uma chuva fina. Depois de meia hora na sala de embarque do porto e a imensa expectativa da viagem. Uma pequena caminhada pelo porto e eu já me perguntava porque tinha levado aquela mala grande, anotação mental de lembrar como foi agradável viajar no México só com a malinha de mão.

Recepção pela equipe de bordo que foi recolhendo a bagagem e nos indicando o número da cabine, a minha 425.
Fui direto pra cabine, minha companheira de cabine tinha deixado a mochila lá mas não estava. Logo depois ela chegou e nos conhecemos, Nina, alemã, e parece que vamos nos dar muito bem...
Rapidamente já estávamos juntas passeando pelo barco e conhecendo tudo.
 Pouco a pouco a cidade de Ushuaia foi ficando pra trás, e com ela o medo de que alguma coisa ia dar errado e eu não poderia embarcar...
As 17:30 nos reunímos no salão principal e as 18 começou a apresentação do staff: Anna Sutcliffe  Líder de expedição, Luciana Motta, bióloga e assistente da líder de expedición, Lida Pimper bióloga, Alejandro Fazzio Welf y Pablo Arias como guías conferencistas. Também conhecemos a equipe de hotelaria que nos acompanhava e o capitão Jorge Aldegheri.

O primeiro prognóstico do tempo era animador, tempo bom e uma navegação tranquila pela passagem de Drake, se é que isso é possível.

Recebemos as instruções de segurança e fizemos também o treinamento de como agir caso fosse necessário. Fazer o treinamento deu uma sensação de que realmente alguma coisa pode acontecer durante a viagem. Embora a equipe fizesse brincadeiras durante o treinamento, confesso que achei meio tenso,l sem falar que fazia bastante frio fora, no convés.
Pra relaxar, champanhe e canapés... e a imensa curiosidade de conhecer boa parte daquelas pessoas.







 Jantar navegando tranquilamente pelo Canal de Beagle e o aviso de quem precisasse de medicamentos pra enjôo deveria tomá-los já, pra que fizessem efeito. Wagner, um amigo médico de Angra tinha me indicado Vonau, um medicamento pra enjôo que levei de Brasíla, e aí a dúvida tomar ou não tomar, afinal nunca enjoei no mar. Tomei! Melhor prevenir.






Depois do jantar, assistimos o filme "Hielo Extremo", um documentário da National Geographic.




segunda-feira, 23 de março de 2015

Ushuaia - Rumo ao fim do mundo


Ushuaia é a cidade mais austral (ao sul) do mundo, também conhecida como "cidade do fim do mundo", seu nome significa "baía que penetra fundo terra adentro na direção oeste". A capital da Província da Terra do Fogo teve colonização européia, mas se desenvolveu com a construção de um grande presídio em meados do século XX.
Na verdade trata-se de uma pequena cidade, espremida entre a Cordilheira dos Andes e o Canal de Beagle, fazendo fronteira com o Chile, mas sem perder seu charme.




A primeira coisa que pensei quando comecei a ver lugar pra ficar em Ushuaia foi: ladeiras! Como a cidade fica na encosta da montanha, é basicamente formada por ladeiras, com uma significante inclinação entre a costa e as ruas mais internas.


Quando visitei a cidade pela primeira vez tinha ficado em um hotel aos pés do glaciar Martial, mas que requeria uma bela caminhada até o centro. Desta vez, com o joelho machucado e sem querer forçar antes da viagem pra Antártida, a idéia era ficar perto da Av. San Martin, a principal da cidade.
A questão é que os hostels em sua maioria (e os mais baratos) ficam mais pra cima, mas depois de pesquisar um pouco, me decidi pelo Hostal Malvinas, que no booking estava com um preço interessante. Aliás fiquei bem satisfeita, com essa pousada, mas no esquema Ushuaia, sem elevador, rs.


Uma das coisas que eu tinha planos de fazer era subir o Glaciar Martial de teleférico (coisa que aliás sempre que eu faço morro de medo e me arrependo, aí faço outra vez), mas descobri que só funciona no inverno, estava fechado. Decidi que subir a pé era forçar demais o joelho e desisti.

Foi uma experiência legal passear sem o compromisso de conhecer tudo pela cidade. Me dei ao luxo de não voltar a nenhum museu, fiquei só passeando, fotografando e tomando um chocolate quente aqui e ali. Aliás recomendo fortemente o da Laguna Negra, na Avenida San Martin.


Uma outra coisa que eu não tinha feito da primeira vez era o passeio do Trem do Fim do Mundo.
Vale a pena? Não, a não ser que você tenha profundos problemas de locomoção, vá caminhar no parque.
Pra chegar até a estação do trem, que fica no Parque da Terra do Fogo, peguei uma van no centro da cidade, por 150 pesos. São cerca de 10 km e é possível também ir a pé, de bike ou de taxi.
A passagem mais barata do trem custa 420 pesos (adultos), mas é possível pagar até 1500 pesos, por uma passagem  com direito a comidinhas, vinho e alfajor. É importante falar que a passagem não inclui o ticket de entrada no Parque e mesmo que você não vá saltar do trem, precisa desembolsar mais 100 pesos. Pode-se pegar o trem pela manhã, passear pelo parque e retornar no trem de volta.
Também há a opção de van até o parque por 200 pesos, ida e volta.








Programa imperdível em Ushuaia é ir até ao Centro de Atendimento ao turista carimbar o passaporte, são 3 opções de desenho, e é de graça. Em 2008 eu tinha ido sem passaporte, o que é possível para brasileiros, e fiquei aguada de não ter feito. Também é possível fazer isso no Parque (e é até mais bonito) mas acabei esquecendo.

Cotações: Eu tinha pego a dica na internet de fazer o câmbio em uma lojinha de pelúcia na esquina da San Martin com a Belgrano (mapa na foto abaixo), e de fato foi onde encontrei o melhor  câmbio em Ushuaia. Ah sim, no Cassino estava igual...

Já na bilheteria do Trem do fim do Mundo o câmbio estava um pouco desfavorável, então compensava pagar com os pesos trocados na cidade, no caso da passagem dava uma diferença de 20 reais..